segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Galegos Santa Maria




História
Galegos é um território que antes do ano 1081 foi dividido em dois: Santa Maria, a ocidente, e S. Martinho (é o de Tours, não o de Dume), a oriente. Esse território configura-se quase como um rectângulo de seus 5 quilómetros de comprimento, no sentido leste-oeste e uns 3 de largura, no sentido norte-sul.

Não se sabe porquê, Galegos. Só que este nome é recente (o documento de 1081 diz Villa Gallegus) e também há freguesiaschamadas Galegos na própria Galiza onde todos deviam ser «galegos» («Voz do Minho» de 8/12/1973). Por outro lado, Galegos está dividida em partes - lugares e sítios - cujos nomes são mais antigos que o nome Galegos. Por exemplo: Paranhos, Valdomir, Pena, Penelas e Pena Grande, Cacavelos, Fraião, Chouso, Reborido.

Vizinhas: a norte - Roriz; a nascente - Areias e Lama; a poente - Lijó; entre Manhente e Lijó, S. Veríssimo e Arcozelo. Só tratamos de Galegos ocidental ou Santa Maria

Cursos de água: a sul, ainda de Manhente, o «Rio Grande» ou Cávado - que já foi Celadus ou Katavo; a norte, vindo de Alheira, por Roriz e Galegos, o «Rio das Caldas» (as do Eirôgo) que vai juntar-se ao que vem de Lijó, atravessa Arcozelo e vai meter-se no Cávado. Antigamente aquele ribeiro separava a Terra de Prado da Terra de Barcelos, como se vê pelo Foral de Prado, de 1260 (D. Afonso III): «... julgado de Prado... parte por foz de Pontelias (rio das Pontes, pontinhas) e daí pela ponte de Arcozelo e pela ponte de Bezeiros e daí à Mamoa (anta) de Cima de Roriz e pelo Ribeiro de Real (é o que vai dar a Galegos) e daí a S. Lourenço» (já existia a capela!). Ver A Vila de Prado, pág. 25.

A Pré-História (antes dos documentos)

Nem da tradição nem por vestígios materiais consta que Galegos fosse habitada desde muito antes de Jesus Cristo, seja, há mais de 2000 anos. Todavia, um Boletim do Grupo Alcaides de Faria noticia que há uns 100 anos havia em Galegos o lugar de Mamoa. Roriz, como se viu do Foral de Prado, tinha em 1260 a Mamoa (de Cima). Ora as mamoas têm milhares de anos.
A Toponímia mostra contudo antiguidade: Pena - de Pen, palavra celta, a indicar pedra, como Penha (Senhora da); ora os Celtas andaram pelas Espanhas - e deixaram os Castros - mais de 600 anos antes de Cristo; Chouso vem de Clausum (fechado) e é Latim; ora os que falam Latim foram os invasores vindos de Roma (diremos, hoje, de Itália) que venceram os de cá pelos tempos de Jesus Cristo. Só que os Romanos não iam romper terras «a bravo»: mais fácil, e da lei, era tomarem aos de cá as já cultivadas. Daí Chouso e outros nomes.
Anotemos que há em Braga no museu do Seminário de S. Tiago um Capitel que pertenceu a uma antiga igreja de Galegos. Pode ver Avelino Costa, obra «D. Pedro».É de estilo anterior ao da igreja de Manhente - é pré-românico.
Barcelos, no tempo de D. Afonso Henriques (por 1140) era pouco mais do que uma quinta do rei (ver Mancelos - Resenha - pág. 16).

A invasão dos Suevos (409)

É um povo germânico, digamos, alemão, que veio para estas terras pelo ano 409 depois de Cristo. Viviam cá os indígenas misturados - que seriam iberos, lígures, gregos (casados) com os celtas e depois com os Romanos, dando os Luso-Romanos. Agora nova mistura com os Suevos. Deve ser por isso que temos cabelos loiros. Fizeram estragos, porque não eram cristãos  os de cá, sim, ao que parece.

A invasão dos Visigodos

Estes eram dos chamados Godos que viveram pelo sul da Russia actual e foram vindo até cá chegarem. Quiseram fazer de toda a Península Hispânica um império: havia que lutar para vencer os Suevos primeiro. Conseguiram-no uma meia duzia de anos depois de S. Martinho ser enterrado (no Mosteiro de Dume). Como eram herejes - arianos (Jesus Cristo seria quando muito um Deus de 2ª, por inferior ao Pai), os vencidos, católicos, tiveram bastante que sofrer às mãos deles. Por fim, rejeitaram a heresia e toda a Hespanha - Galegos também, claro - se tornou império católico.

A invasão dos Árabes (Mouros - 711)

As Espanhas eram no tempo de S. Frutuoso (homem de sangue real e portanto visigodo, que à morte dos pais deu os bens e se fez eremita, vindo mais tarde a ser, tal como S. Martinho, bispo de Dume e depois, arcebispo de Braga, em 656) um reino enorme. Caiu por traição de alguns visigodos que chamaram os Mouros de de Marrocos em auxílio do partido deles. E os Mouros... vieram e não saíram mais até à reconquista. Foi uma guerra semelhante às que depois fizemos contra Castelhanos e Franceses: expulsar o invasor. Faltavam soldados porque os cristãos eram poucos. Valeu que depressa vieram novas gerações tomar o lugar dos que haviam morrido. Alguns voltaram às terras que deles foram; outros, nunca mais e terras assim deixadas a mato, ocupava-as quem podia com ordem do rei visigodo - com a capital primeiro em Oviedo e depois em Leão.
E Galegos? Se lá não tivesse ficado gente, não se podiam ter conservado os antiquíssimos nomes de lugares: Chouso, Penelas, etc. Os que vieram ou eram os mesmos ou novos (outros). E se novos, dariam novos nomes aos lugares. Porque haviam de manter os velhos nomes? Os de galegos ficaram nas suas hortas.

Nova terra, novo batismo

Vimos que em 1081 se chamou a Galegos «Villa». Mas villa era o nome que o Romano rico dava às suas propriedades (herdade e palácio). E Galegos - o território - foi villa de algum X romano? Não sabemos. Se foi, que nome lhe daria o Romano? Mas se não foi de Romano, porque é que lhe chamam villa em 1081? Sobre Villa, ver Alberto Sampaio e M. Oliveira («Paróquias Rurais»).
A população cristã não cabia para lá de Oviedo e Leão. Emigraram para sul. De uma freguesia iriam emigrando novos casais para as terras vagas de outra. Mas pode ser que algum conquistador trouxesse um grupo de fam+ilias para o território de Galegos e aí lho repartisse pagando elas um forro. Isso exigia que o terreno já fosse dele antes, ou o conquistasse, anos antes de 1081. Mas se conquistado, havia de ter seu nome. Era Galegos? Quem deu este nome? O conquistador? Ou os que vieram fabricar ali a terra? Mas eram mesmo da galiza? De que parte? De qual terra vieram? Podem não ser nada da Galiza e ter sido os que ficaram ou os de fora (lijó, por exemplo) quem alcunhasse as novas famílias chamando-lhes «os galegos» e o nome pegasse. Porque os de Manhente devem ter vindo também de fora - de perto de Burgos. seja como for, a palavra é nova e o batismo é novo, o que significa que a nossa terra foi re-batizada se outro nome teve, ou recebeu aquele por ser território demarcado de novo. A sede da vila romana podia ter sido acima de S. Lourenço ou em Roriz (onde em 1220 se fala em paço). Note-se que o batismo se fez antes de 1081 porque, por essa data, já o território, que foi uno, se subdividira em 2 paróquias, a oriental e a ocidental, como dito atrás. Galegos era, por esta altura a paróquia nº 424 num Censual de Braga.

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